Confidencial (NDA)

É assim que as empresas garantem a confidencialidade com seus colaboradores, fornecedores e investidores. O famoso acordo de não-divulgação, o NDA.

Sabe aquela sensação de quando você vai apresentar um projeto, mostrar números, abrir um roadmap, explicar um diferencial técnico… E dá aquele “frio na barriga”.

“E se a outra pegarem isso e levar pra um concorrente?”

Eu vejo isso o tempo todo, especialmente em demonstrações de sistemas e, é exatamente aqui que entra o NDA.

Resumo

  • NDA é um acordo de não-divulgação (AND) entre partes sob compartilhar informações restritas;

  • Os tipos de NDA são, unilateral, bilateral e multilateral.

O que é NDA

NDA vem de Non-Disclosure Agreement e, no Brasil, a gente normalmente chama de acordo de não-divulgação (termo de confidencialidade).

É um acordo jurídico em que uma ou mais partes assumem o compromisso de não divulgar informações sensíveis recebidas.

O objetivo é proteger informação que, se vazada, pode destruir vantagem competitiva de mercado.

Tipos de NDA: unilateral, bilateral e multilateral

  • Unilateral: só uma parte revela informações; a outra se compromete a guardar sigilo;

  • Bilateral (mútuo): as duas partes trocam informações e protegem mutuamente;

  • Multilateral: envolve várias empresas/pessoas (ex.: consórcio, projeto com fornecedores e consultorias).

Relatado: Tipos de NDA

Validade do NDA no Brasil

A proteção de segredo de negócio e repressão à concorrência desleal aparece na Lei de Propriedade Industrial (LPI).

Relatado: Segredo industrial e repressão à concorrência desleal

Cláusula no contrato ou NDA separado

NDA separado (termo apartado)

Quando você está em pré-negociação:

  • Reunião de apresentação;

  • Pitch mais técnico;

  • Auditoria inicial (due diligence);

  • Discussão de parceria que pode nem acontecer.

Cláusula de confidencialidade dentro do contrato principal

Quando o relacionamento já vai existir:

  • Prestação de serviços;

  • Contrato de software;

  • Parceria;

  • MOU;

  • Acordo de sócios, etc.

Relatado: 4 cláusulas essenciais no contrato de confidencialidade

Como escrever um NDA que realmente funciona

1) Especifique por categorais

  • Algoritmos, regras de negócio e lógica de precificação;

  • Arquitetura, integrações, fluxos e documentação técnica;

  • Listas de clientes, contratos, políticas comerciais;

  • Planilhas financeiras, margens, custos, projeções, valuation;

  • Estratégia de marketing, funil, canais e metas.

Relatado: O que deve constar no contrato de confidencialidade

2) Liste exclusões

  • O que já é público;

  • O que a parte já conhecia antes;

  • O que foi obtido legalmente por terceiros;

  • O que precisa ser revelado por ordem judicial (com aviso prévio quando possível).

Relatado: Exclusões de informações confidencias

3) Coloque prazo

A obrigação precisa ter um prazo coerente com a relevância da informação.

Embora não haja um tempo mínimo ou máximo legal.

4) Exija medidas mínimas de segurança

  • Controle de acesso (mínimo necessário);

  • Croibição de compartilhamento;

  • Registro de quem acessou;

  • Obrigação de notificar incidente em X horas;

  • Devolução/eliminação de documentos ao fim.

5) Defina penalidades com inteligência (multa fixa + variável)

  • Multa fixa mínima (piso),

  • + Componente variável (escala com a gravidade/benefício).

Só perdas e danos pode virar discussão longa e subjetiva.

Como calcular multa variável por quebra de sigilo de forma estratégica

Só “perdas e danos” pode virar discussão longa e subjetiva.

Modelo A - “Piso + % do valor econômico do projeto”

Por exemplo:

  • Multa fixa: R$ 50.000

  • 10% do faturamento previsto do projeto (12 meses)

Se o projeto prevê R$ 1.000.000/ano, variável de R$ 100.000, multa total R$ 150.000.

Modelo B - % Sobre a vantagem obtida (do infrator ou do terceiro beneficiado)

Por exemplo:

  • Multa = 30% do lucro comprovado obtido com o uso indevido da informação (ou valor equivalente).

Modelo C — Multa por “nível de criticidade” (pesos por documento)

Você define pesos:

  • Nível 1 (operacional): R$ X

  • Nível 2 (comercial): R$ Y

  • Nível 3 (core/segredo industrial): R$ Z (mais agressivo)

Quando incluir não concorrência e não contratação no NDA?

Não concorrência (non-compete)

Usaria quando a outra parte vai conhecer o “caminho das pedras” e pode virar concorrente direto:

  • Projetos de desenvolvimento conjunto;

  • M&A;

  • Consultoria muito sensível;

  • Acesso profundo a estratégia, método, preço, arquitetura.

Para não ser uma NDA abusiva, exija prazo definido e, em muitos casos, compensação, senão aumenta a chance de briga.

Não contratação (non-solicitation / non-hiring)

Eu uso para proteger o ativo mais vulnerável em tecnologia, gente boa.

Impede “levar” funcionários/colaboradores-chave após ter acesso ao time durante a negociação.

Conclusão

Pense no NDA como o segredo de uma receita, você pode até chamar alguém pra cozinhar junto (negociar, auditar, integrar).

Mas precisa garantir que essa pessoa não saia com os ingredientes anotados e abra um concorrente do outro lado da rua.