Tudo sobre Custo de Mercadoria Vendida (CMV).
Tudo sobre Custo de Mercadoria Vendida (CMV).

CMV leva tempo para calcular, mas é através dele que você descobre porque a conta bancária continua vazia.

Se o seu relatório de demonstração financeira mostra que seu CMV geral está em 41% e você pensa:

“Ah, mas é assim mesmo, né? O importante é vender bastante. Uma hora o lucro vem.”

Então você não está no controle do negócio—e sim caminhando pra uma falência silenciosa.

Talvez seja exatamente onde você está hoje: vende, trabalha, o salão enche… mas dinheiro de verdade nunca aparece.

Foi aí que eu decidi parar de chutar e entender, de uma vez por todas, o CMV (Custo da Mercadoria Vendida). Ele é a principal coisa à qual um dono de restaurante, padaria ou qualquer operação gastronômica deveria se dedicar.

Neste guia, eu vou te mostrar exatamente:

  • Resumo sobre o que é CMV

  • Como calcular do jeito certo

  • Quais ajustes simples, práticos e comprovados você pode fazer para reduzir seu CMV e, finalmente, ver lucro de verdade no seu negócio.

O que é o CMV e como ele (atualmente) funciona

O que é CMV (demonstração em uma DRE dentro de custos variáveis).

O CMV é o medidor do Custo das Mercadorias Vendidas da sua empresa, seja ele unitário, geral, rotativo ou teórico.

Essa métrica é importantíssima em demonstração de resultados da empresa.

Como calcular CMV nas 4 formas

Para calcular o CMV, é recomendável de início que você calcule o custo teórico do seu cardápio, depois o real e um resumo.

Eu juntei abaixo todos os tipos de custo de mercadoria vendida com fórmulas para você aplicar. Vamos lá.

  • CMV Unitário (ou Custo da Ficha Técnica): Custo dos insumos de um único prato (ex: o filé mignon).

  • CMV Global (ou CMV Real): Representa o custo de todos os insumos consumidos no seu restaurante ao longo de um período (mês ou semana).

  • CMV Rotativo: Técnica para calcular seu custo de insumo sem contar estoque, através das suas compras e vendas semanal.

  • CMV Teórico: Indicador de planejamento que estabelece o custo esperado dos insumos no cardápio.

1. CMV unitário (custo da ficha técnica) por prato

CMV Unitário % = Custo por porção / Preço de venda * 100

Fórmula: CMV% = (Custo por porção ÷ Preço de venda) × 100

Se a ficha técnica do filé mignon custa R$ 10,00 por porção e o prato é vendido a R$ 40,00, então CMV% = 10/40 = 25%.

Se o cozinheiro "escorrega na faca" e usa mais gramas em vez das especificadas na ficha, o CMV real no volume ficará bem mais alto do que o teórico.

Padronizar quantidades obrigatórias por ficha técnica ajuda a aproximar ao custo esperado.

2. CMV global (ou geral) sem levar em conta o que sobrou no seu estoque

Fórmula do CMV Global = Estoque Inicial + Compras - Estoque Final

Fórmula: CMV = Estoque Inicial + Compras - Estoque Final

Ele mostra quanto do seu estoque virou venda no período.

Se você calcula seu custo geral apenas pelas compras (notas fiscais e boletos) que fez, você está se enganando.

Isso não leva em conta o que sobrou no seu estoque.

Grupo

Cód.

Produto

Und.

Contagem Inicial Qtd.

R$ Und

R$ TOTAL

Compras Qtd.

R$ Und

R$ TOTAL

Contagem Final Qtd.

R$ Und*

R$ TOTAL

Estoque Seco

100.10.001

Creme de Leite

UND

12

4,50

54,00

24

4,70

112,80

10

4,63

46,30

Hortifruti

200.20.005

Banana

KG

20

3,00

60,00

80

2,80

224,00

15

2,85

42,75

Olhe sempre por grupo e subgrupo—muitas vezes, bebidas puxam o CMV para baixo.

Uma compra grande nos últimos dias do mês, seu estoque final ficará alto fazendo seu CMV baixar. Mas você só está transferindo o consumo para o mês seguinte.

3. Técnica de CMV rotativo pelas compras e vendas (sem contar estoque)

Técnica do CMV rotativo sem precisar contar estoque.

Você não tem tempo para contar estoque? Então use a técnica do estoque rotativo.

Fórmula: CMV% = (Compras da semana ÷ Vendas da semana) × 100

Você obtém o percentual do custo semanal aproximado e consegue calcular uma média ponderada do mês.

  1. Some compras e vendas de cada semana.

  2. Mantenha um acumulado de 4 semanas. Na semana 5, tire a semana 1—na 6, tire a 2 e assim por diante.

Acumulado móvel em 4 semanas é muito mais estável do que olhar só uma semana.

4. CMV teórico do cardápio (ponto de partida)

CMV teórico do cardápio para insumos.

Aqui é o ponto de partida ou histórico para os preços no seu cardápio.

Para cada item do cardápio, informe custo por porção, preço de venda e unidades vendidas (seu mix esperado ou histórico).

  • Total vendido = Preço × Unidades

  • Custo total = CMV unit. × Unidades

  • CMV% do cardápio = Custo total ÷ Total vendido

Por exemplo, se “Carne” vende 800 unidades a R$30 com custo de R$10, o total vendido é R$24.000 e o CMV total é R$8.000.

Se o CMV Teórico já for alto (por exemplo, 41%), o real será, no mínimo, um gap de 5% mais alto. É um indicador forte que o negócio pode começar a perder dinheiro na largada.

Se o índice ficou alto, ajuste o mix com mais participação dos itens com custo individual menor.

5. Resumo do CMV global (bônus)

CMV Real resumido de Compras e Bebidas.

Bata o CMV real rápido sem entrar item a item preenchendo dois blocos: comida e bebida. Fica mais fácil de você ver com clareza as suas compras.

  1. Receita líquida: Informe as vendas do período.

  2. Valor de estoque: Preencha Inicial, Compras e Final de cada categoria.

  3. Custo real: Consumo ÷ Receita × 100

Com essa visão, você decide rápido onde ajustar, quais grupos promover e quanto comprar no próximo ciclo.

Lance perdas, consumo interno e brindes fora da receita. Transferências entre empresas não entram como compra do negócio.

4 formas de reduzir seu CMV

Para um negócio com faturamento alto, uma redução de 10% (de 40% para 30%) pode significar dezenas de milhares de reais.

Veja algumas táticas acionáveis de redução.

1. Ficha técnica e porção

  • Use checklist de preparo (Mise en Place).

  • Controle de validade PVPS, usa primeiro o que vence primeiro.

  • Utilize planilhas na cozinha com quanto vai em cada porção e use balança/colher medida.

  • Corte extra vira custo, use gabarito de corte e conchas numeradas.

2. Compras e fornecedores

  • Negocie buscando sempre ter pelo menos três fornecedores para cada produto. Mais poder de negociação comprovado pelo Portfólio de Kraljic de Harvard Business.

  • Sempre verifique se o produto e a nota fiscal correspondem exatamente ao pedido original. É muito comum aceitar notas com mercadorias diferentes.

  • Utilize uma balança grande e parruda para pesar 100% da mercadoria recebida para verificar peso líquido. Se na caixa de salmão está escrito 10kg, mas na pesagem tem 8kg, você está perdendo dinheiro.

3. Proteínas (carne, camarão, lagosta)

Proteínas são caras e atrativas para desvios.

  • Coloque peças grandes em gaiolas com cadeado dentro da câmara frigorífica.

  • Libere apenas a quantidade necessária para o turno.

4. Contagem semanal do estoque

Atraso médio de deteção com contagem semanal do estoque.

Contar inventário só uma vez por mês é pedir dados distorcidos. Com um controle semanal, você enxerga dados condizentes do CMV em curto prazo.

Dessa forma você consegue arrumar fichas técnicas, preços ou processos antes que virem um impacto negativo no caixa.

Relatado: Cycle counting

Conclusão

O controle rigoroso do CMV, do estoque, das compras e da padronização dos processos gera uma complexidade de informações que precisa ser gerenciada.

Ter processos desenhados e documentados (como a função do comprador, do estoquista, e o checklist de preparo) é fundamental.

Para gerenciar essa complexidade e garantir que todas essas engrenagens funcionem simultaneamente, você precisa de um sistema integrado de gestão (ERP).

Um ERP centraliza suas compras (facilitando a cotação), gerencia o estoque (dando baixa automática e conferência) e integra a parte fiscal. Oferece relatórios de vendas e lucratividade por item (CMV unitário) e alimenta o fluxo de caixa e DRE.

Desejo boa gestão e boas vendas para você. Até logo!