Lucro Presumido x Lucro Real
Lucro Presumido x Lucro Real

Se você me perguntar qual será a maior armadilha na reforma tributária, é escolher errado entre Lucro Presumido x Lucro Real.

Nos anos passados, muitas empresas ficavam no Presumido por causa de PIS/Cofins.

Mas já antecipo que a Lei Complementar nº 224/2025 (fruto do PLP 128/2025) encarece o Lucro Presumido acima de R$ 5 milhões/ano. Além da CBS que substitui PIS e COFINS a partir de 2027.

Resumo

  • A Reforma Tributária do Consumo dará fim na vantagem clássica de optar pelo Presumido (aumento de 10% no excedente de R$ 5 milhões).

  • Se sua margem de lucro real fica abaixo do presumido no Lucro Presumido, ele tributará mais, como se você fosse mais lucrativo do que é.

  • Corra atrás de um analista tributário para optar pela melhor economia líquida no seu contexto antes de 2027.

Lucro Presumido x Lucro Real

Lucro Presumido x Lucro Real

Lucro Presumido (o “lucro que o governo imagina”)

No Presumido, o governo literalmente presume uma margem de lucro sobre o seu faturamento e calcula IRPJ/CSLL em cima disso.

  • Comércio/indústria: 8% da receita bruta.

  • Serviços em geral: 32% da receita bruta.

Confira o CNAE (atividade) da sua empresa para saber a %.

A “bomba” da Reforma Tributária: o Lucro Presumido ficou progressivo acima de R$ 5 milhões

  • Até R$ 5 milhões/ano: Mantém percentuais “normais” (ex.: 32% serviços; 8% comércio).

  • Acima de R$ 5 milhões/ano: Acréscimo de 10% nesses percentuais sobre a parcela excedente (ex.: 35,2% serviços, 8,8% comércio).

A carga efetiva pode sair de algo como ~10,61% do faturamento e ir para ~11,10% dependendo da distribuição do faturamento no ano.

Se uma empresa de serviços fatura R$ 9 milhões/ano, antes a presunção era 32% “em tudo”—agora parte do ano entra com 35,2%.

Limite deve ser acompanhado ao longo do ano por trimestre.

Lucro Real (o “lucro de verdade”)

No Real, IRPJ/CSLL incidem sobre o resultado efetivo (receitas – custos – despesas dedutíveis, com regras).

Se você tiver prejuízo, a tendência é não haver IRPJ e CSLL sobre lucro naquele período (porque a base é o lucro). E você ainda pode ter regras de compensação de prejuízos fiscais.

Despesas operacionais, necessárias à atividade, são dedutíveis também.

Como escolher entre Presumido e Real (do jeito certo): a regra da Economia Líquida

Escolha por economia líquida, que é:

Economia tributária

(economia tributária real) – (custo de conformidade + risco fiscal + custo operacional)

Aqui vai o meu checklist.

1) Sua margem real é menor que a presunção?

Se você é serviço e sua margem real (de verdade) fica abaixo de ~32%, o Presumido tributará você, como se fosse mais lucrativo do que é de fato. E com a LC 224/2025, isso piora acima de R$ 5M.

2) Você investe pesado e/ou tem muita despesa dedutível?

No regime do Lucro Real, são dedutíveis:

  • Folha e encargos

  • Aluguel (operação)

  • Energia/telefonia/internet (operação)

  • Serviços essenciais (contabilidade, sistemas, consultorias técnicas)

  • Fretes e logística

  • Manutenção de máquinas/equipamentos

  • Depreciação/amortização

3) Você consegue manter rigor documental?

No Lucro Real, a despesa dedutível precisa ser necessária à atividade, usual/normal e comprovada. Se a empresa vive de recibo solto, despesa cinzenta e documentação fraca, o Real é arriscado.

Como migrar para o Lucro Real com segurança

  1. Auditoria de documentos (90 dias)
    Fornecedores, contratos, notas, centros de custo, recorrências. Cortar o que não é comprovável (isso salva imposto e salva em autuações).

  2. Mapear despesas dedutíveis que fazem sentido
    Na lei, todas as despesas operacionais necessárias e usuais/normais à atividade são dedutíveis.

  3. Governança de compras
    Sem nota fiscal idônea, você não conta com crédito, não conta com dedução, conta com nada.

  4. Simular 12 meses (e não 1 mês)
    Simule com sazonalidade, investimentos, campanhas, expansão e inadimplência.

  5. Atualize o sistema ERP
    Sem um ERP que controle estoque, compras, financeiro, centro de custo, DRE e documentação, o Lucro Real perde no retrabalho e no risco.

Conclusão: 2026 é o ano de decidir. 2027 é o ano em que a conta chega.

O Lucro Presumido sempre pareceu o “plano fixo” confortável. Só que o governo está encarecendo esse regime e, ao mesmo tempo, trocando a lógica do sistema (CBS/IBS). Muita empresa vai perceber que precisa do “plano por uso” (Lucro Real), mas com governança, documentação e sistema ERP.